Aplicativos e a sua Privacidade

Atualizado: Jun 29

Essa semana vimos as redes sociais serem invadidas pela transformação das fotos com mudança de gênero pelo aplicativo FaceApp. Todo mundo querendo saber como seria se fosse homem ou mulher.


Esse aplicativo já é conhecido de bastante pessoas, ano passado foi viralmente acessado para envelhecer as pessoas. Foi também questionado pela sua invasiva política de privacidade. Sendo inclusive alvo de várias demandas judiciais em diversos países e investigação por ciberespionagem pelo FBI nos Estados Unidos.

Vamos por parte. O que são os aplicativos?


São aqueles quadradinhos espalhados no celular. Na definição técnica são programas de software para dispositivos móveis, relógios, computadores e smartTV que podem ser usados online ou offline e podem ser gratuitos, ou pagos. Carinhosamente chamados de App.


Agora, o que faz as pessoas utilizarem esses aplicativos que coletam sua biometria facial, coleta sua foto, compartilha suas informações (sei lá com quem) e rastreia dados das suas atividades online, sem se preocupar?


Primeiro, porque os aplicativos são muito práticos e facilitam nossa vida. Segundo, são fáceis e rápidos de baixar. E, claro são convenientes, encantadores e divertidos. Ah! Não posso esquecer, quase sempre são gratuitos ou tem uma versão gratuita. Então, porque não baixar, né?


Aqui começa o primeiro engano. Os aplicativos não são gratuitos. Já ouviu aquele ditado? “Não existe comida de graça. Alguém paga a conta”. Neste caso, seus dados e suas informações pagam a conta em troca do uso do aplicativo gratuito. Lá se vão suas informações, seus dados, sua localização e detalhes da sua vida.


Dentro do mercado digital atual os dados são de enorme valor, praticamente um grande ativo econômico de uma empresa. Os aplicativos são uma grande indústria que deve movimentar cerca de 6,3 trilhões de dólares até 2021 em todo mundo. Some agora esse dado ao fato de que os brasileiros adoram aplicativos, nós somos o segundo maior mercado de aplicativos do mundo.



Além das funções que os aplicativos oferecem, a sua grande maioria coleta também os dados pessoais e informações dos usuários com objetivo de melhorar a jornada do cliente. Ou seja, para oferecer uma experiência customizada e personalizada para você, ou ações de marketing dirigidas de acordo com os seus gostos.


Assim, as empresas traçam o seu perfil, rastreando as suas preferências e o seu estilo de vida, para oferecer produtos ou serviços específicos e personalizados com seus desejos. Vamos fazer um teste? Comece a observar, as suas propagandas dos seus aplicativos, tenho certeza de que são de coisas que gosta ou que já pesquisou. Acertei?


Legal, né? Muitas pessoas concordam em oferecer seus dados em troca de excelentes experiências personalizadas. De acordo com pesquisa desenvolvida pela Cisco System, 55% dos consumidores brasileiros não se importam e aceitam em compartilhar as suas informações para obter serviços personalizados.


Agora entenda, acredito que compartilhar seus dados pessoais só faz sentido se você tiver consciente sobre tal possibilidade e saber quais informações estão sendo acessadas. Porque sem consciência é invasão de privacidade, concorda?


Vamos para outro teste.

Entregue seu celular desbloqueado para alguém desconhecido ficar fuçando nele por 10 minutos. Se sentiu incomodado? Rsrsrs! Acredito que sim, sabe o porquê? Porque ali está toda sua privacidade e suas informações privadas.


Então, porque deixar um aplicativo acessar tudo, absolutamente tudo, todas as suas informações. Existem aplicativos que pedem acesso a sua câmera mesmo sem necessitar delas. O meu objetivo não é assustar e sim despertar a sua reflexão.


Os aplicativos podem invadir a sua privacidade sem conhecimento das seguintes formas:

- Rastreando sua localização.

- Coletando sua navegação na internet.

- Acessar suas fotos.

- Coletar reconhecimento facial.

- Registros da sua atividade no celular.

- Acesso aos seus contatos, dentre outros.


Ao conceder permissão, qualquer uma ou todas essas formas podem estar sendo usada pelo aplicativo, mesmo sem o seu uso ou necessidade da função do app. Ou seja, vai muito além do seu propósito.


Classifico essas permissões como “Permissões invasivas”, porque na maioria das vezes o aplicativo não necessita da informação acessada para a sua finalidade principal.


Então, o que torna o acesso dos dados pessoais sem consciência do usuário tão preocupante?


Pelo simples de que está invadindo a sua intimidade, ou seja, o aplicativo monitora dados que não deveriam ser monitorados, o que caracteriza uma grande violação a proteção dos seus dados pessoais e da sua privacidade.


Da mesma forma que a coleta dos dados podem ser usados para marketing ou publicidade dirigida, podem ser usados para vigilância, manipulação digital, controle político, racismo ou discriminação, dentre outros.


Voltando ao caso viral do FaceApp, muitos podem dizer que foi apenas uma foto, lamento desapontar, mas não foi. A foto necessária para usar o aplicativo precisa ser próxima, o que leva a coleta perfeita de biometria facial. Junto com ela foi acessada a sua geolocalização, ou seja, sabe exatamente em que local onde está, sua cidade e país. Além de acesso das suas preferências de sua navegação na internet. Resultado, foi muito mais que apenas uma foto compartilhada. Olha! Este comportamento acontece com muitos outros app que usa.


O uso dos dados pessoais deve ser transparente, ético e responsável. A coleta de dados deve ser levada a sério, privacidade é um direito e não deve ser violado. Com a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados teremos um grande aumento na fiscalização, seja pelos órgãos competentes, seja pelos usuários, com medidas de proteção aos dados pessoais mais claras e rígidas.


O intuito desse artigo é apenas a reflexão, quando refletimos desenvolvemos uma análise crítica sobre os assuntos o que aumenta a consciência sobre a verdade dos conteúdos.


Fique atento as permissões que os aplicativos pedem antes de baixar, observe atentamente qual a real necessidade das solicitações de acesso das informações com a funcionalidade dos aplicativos. Simples, procure apenas saber e entender quais informações está compartilhando. Aí, a escolha é sua.


Acesse o artigo em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=3mbwyAkMvQU

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©by Fabíola Grimaldi